O Estado de S. Paulo, 28/10/2009
O sonho de transformar o Morro do Vidigal, em São Conrado, zona sul do Rio, em polo turístico acabou. O empresário alemão Rolf Glaser, de 62 anos, que investiu R$ 1,1 milhão na compra de 37 propriedades na favela começou a vender tudo por 30% do valor de compra. “Perdi muito dinheiro. A prefeitura fez uma série de exigências e inviabilizou o negócio. Acho que algumas pessoas não gostam da favela, mas também não querem fazer nada para mudar a comunidade”, avaliou Rolf, que viaja hoje para a Alemanha.
Em novembro de 2008, o alemão começou a comprar casas e terrenos no Morro do Vidigal, cuja favela tem vista panorâmica para o mar de São Conrado e para as Praias do Leblon e de Ipanema. A meta era construir casas que abrigassem turistas e um caminho de lojas, de lavanderia a uma casa de sucos. O empreendimento empregaria moradores do Vidigal – que, depois de algum tempo, seriam responsáveis por gerir o negócio. O empresário já participou de iniciativa semelhante na África.
O principal obstáculo ao empreendimento foi o embargo das obras pela prefeitura do Rio, em abril de 2009. “A prefeitura exigiu escrituras definitivas e os terrenos são posses. É a inoperância desses paquidermes gigantescos que são os órgãos públicos. A prefeitura veta porque quer voto. Eles barram qualquer pessoa que atraia a simpatia da população”, afirmou o arquiteto responsável pelo projeto, Hélio Pellegrino, do HGP Arquitetos Associados.
Procurado, o prefeito Eduardo Paes informou que não comentaria as críticas.
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